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São Paulo, 18 de fevereiro de 2002

 

Este espaço é reservado para que possamos discutir todos os tipos de assuntos, e caso você concorde ou discorde das opiniões aqui escritas, você pode emitir a sua opinião indo no link de contato, e assim a sua opinião será registrada.

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Como primeiro tema pretendo emitir a minha opinião sobre o ensino de filosofia em nossa vida.

Discutir o ensino de filosofia na escola ou na universidade pressupõe definir o papel que ela representa na formação do educando, explicando inclusive se deve estar incluída no currículo de alguns cursos apenas ou se estende sua aprendizagem a todos os alunos.

Pois todos os seres humanos, sob certo aspecto, são filósofos. Ou seja, a maioria das pessoas não se ocupa como os assuntos que interessam exclusivamente aos especialistas de áreas como física, matemática, geografia, entre outras, mas o mesmo não acontece quando o assunto é a filosofia. Isso porque, ainda que existam filósofos especialistas, não se pode pensar em pessoas alguma que não seja de certa forma filósofo empírico, porque ser humano vive dando sentido às coisas e, diante dos problemas apresentados pelo existir, tende para a reflexão, a não ser que tenha sido artificialmente impedido de exercitá-la.

Todo ser humano tem (ou deveria Ter...) uma concepção de mundo, uma linha de conduta moral e política e é capaz de examinar sua maneira de agir e pensar para mantê-la ou modificá-la. Ainda segundo Gramsci, o filósofo empírico se distingue do especialista porque: “O filósofo profissional ou técnico não só pensa com maior rigor lógico, com maior coerência, com maior espírito de sistema, do que outros homens, mas conhece toda a  história do pensamento, isto é, sabe quais as razões do desenvolvimento que o pensamento sofreu até ele e está em condições de retomar os problemas a partir do ponto em que se encontram, após terem sofrido a mais alta tentativa de solução”.

Apesar dessa diferença, parece evidentemente que a filosofia deveria ser assunto para todo estudante, de qualquer curso, independentemente de suas futuras escolhas profissionais (e até por isso mesmo...). Afinal, um curso de filosofia no nível médio não tem por objetivo principal despertar futuros filósofos especialistas, mas dar condições para que todos tenham a oportunidade de desenvolver a capacidade humana de pensar bem, de pensar melhor, de forma coerente e crítica.

Justificando o ensino de filosofia para todos, recorremos ainda a Gramsci, que distingue entre senso comum e bom senso. Em um primeiro momento, recebemos a herança fecunda do grupo social a que pertencemos e que podemos chamar de senso comum. Trata-se de um saber difuso, pouco crítico, superficial  e freqüente  voltada para a solução imediata dos problemas. No entanto, num segundo momento, orientamo-nos para uma reflexão filosófica empírica, por meio da qual é feita a crítica  da herança recebida: eis aí o bom senso, considerado por Gramsci o “núcleo sadio de senso comum”, porque resulta nas elaboração coerente do saber e na explicação das intenções conscientes dos indivíduos livres.

Prof. Di Bartolomeo - Tony

 

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