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SUA EMPRESA PODE ESTAR PRECISANDO DE UM FILÓSOFO

 

 

 

Pelo menos é o que pensa o consultor brasileiro, naturalizado norte-americano, Abraham Chacamovits. Para ele, colocar um filósofo no comando de uma organização representa a garantia de uma vida financeira saudável por muito tempo.

 

 

            A pressão por resultados, motivada pelo mundo dos negócios cada vez mais competitivo, tem contribuído para que muitos lideres de empresas reservem pouco tempo para analisar pequenas questões que estão à sua volta. Essas questões, se avolumadas, podem comprometer o gerenciamento, uma vez que constituir uma empresa de sucesso significa transpor limites. Em outras palavras, é preciso enxergar além, refletir, ser filósofo.

            É o que pensa o consultor Abraham Chachamovits. Segundo ele, em entrevista à revista Exame, somente um filósofo é capaz de garantir ás empresas vida financeira saudável por tempo prolongado, “exatamente por ter uma compreensão mais elevada do mundo”.

            Filósofo neste caso, explica Chachamovitz, não significa necessariamente alguém formado em Filosofia, “mas uma pessoa totalmente presa às questões mundanas de uma organização, como a produção e o lucro”.

            Para o consultor, que é filósofo e pós-graduado em lógica e inteligência artificial, lideres com uma formação humanista sempre terão mais êxito em seus objetivos. A explicação está no fato de que filósofos sempre agem pensando no crescimento do grupo. Com isso, almejam fazer com que as pessoas transcendam seus limites, e não apenas que gerem bons resultados financeiros para as empresas. Outro ponto positivo, segundo o consultor, é que eles jamais lideram para fins próprios.

 

 

Identidade

 

 

            Empresas cujos comandos estão nas mãos de líderes humanistas valorizam mais seus recursos humanos e se esforçam para que haja equilíbrio entre as vidas pessoal e profissional de seus colaboradores. “Jamais será uma organização efêmera (que dura pouco, transitório)”, afirma.

            Mas não pensem que uma empresa formada apenas com filósofos é possível. O próprio Chachamovitz descarta essa hipótese. Para ele, é possível imaginar, sim, uma empresa em que todos tenham os mesmos valores éticos e morais.

            Isso não quer dizer que o chato, o brincalhão, o arrogante, o fofoqueiro não devam fazer parte do grupo. “Têm de existir, é a lei da identidade”, justifica ao dizer que é  dessa maneira que se forma um corpo coeso. Na sua visão, o homem precisa ser adepto da espiritualidade, pois é isso que o ajudará a separar o bem do mal e atuar de acordo com aquilo que acredita e tem convicção.

 

 

Capacidade

 

            O grau de responsabilidade e de poder de um indivíduo – em todos os níveis de uma organização – é medido de acordo com a aproximação que ele tem do dinheiro, e não em função de sua capacidade. Apesar dessa constatação, é muito comum haver subordinados mais eficientes e capazes que seus superiores.

Quando isso acontece, os subordinados dificilmente alcançam níveis hierárquicos mais altos porque seus chefes criam obstáculos, o que contribui para as relações ficarem tensas. “Está  na natureza daquele que cria obstáculos impedir a ascensão e na daquele que é sufocado superá-lo sempre”, afirma.

            O que ele quer dizer é que o modelo ideal de hierarquia seria aquele que respeita o mérito e a capacidade individual. Seria porque não é assim que a coisa funciona.

            O mérito, diz ele, deve sempre existir em cada nível subsequente da hierarquia. Que está numa posição elevada, teoricamente tem mais preparo, capacidade e habilidade do que quem está embaixo. No entanto, no mundo corporativo o que se vê  são pessoas ocupando cargos de comando, por circunstâncias. “E o que é pior. Sem preparo filosófico, psicológico e espiritual para administrar com humildade. Chegam até mesmo a obstruir o desenvolvimento das pessoas que vem a seguir na escala hierárquica”.

 

 

Chefes Egoístas

 

            Às vezes, a solução de um problema da empresa não está na cabeça do seu principal executivo, mas no do zelador ou de um outro simples funcionário. É comum em situações assim o chefe ficar irado por não Ter sido o autor da idéia.

            Quem age dessa maneira, explica Chachamovitz, prejudica a empresa, pois pensa apenas em tentar se favorecer e permanecer no cargo. “Vive apenas para suprir suas necessidades, não é humilde e o brilho dos colegas é sempre uma ameaça”.

            Uma caraterística de pessoas deste tipo é a dissimulação. Ou seja, não dá para saber que  ela é verdadeiramente.

            De acordo com o consultor, a atitude dos chefes egoístas de não permitir que subordinados descubram algo valiosos para a empresa pode ser comparada a um ato criminoso.

            Apesar de serem pessoas que ocupam cargos de comando por algum mérito técnico, o filósofo diz que isso não revela a sua qualidade de ser humano como um todo, mas apenas uma parte dela.

            Problemas desta natureza acontecem, segundo ele, porque a maioria dos líderes não tem noção de conjunto. “Esse é o grande problema do chefe que é apenas um excelente técnico. Enfatiza.

            Muitas empresas funcionam seguindo um organograma formado por  líderes despreparos. Apesar disso, parte delas consegue faturar bilhões, “mas faturariam mais se soubessem explorar a capacidade de seus profissionais”, afirma Chachamovitz.

            Ele acredita, porém, que essa fase está acabando. “Apesar das resistências, o modelo hierárquico está vivendo o seu último estágio. O seu lugar será ocupado por um modelo organizacional baseado na colaboração, em que prevalecerão o mérito e a capacidade dos profissionais envolvidos”, afirma.

            Essa postura já foi colocada em prática pelo consultor em todas as empresas por onde passou. “Acabava com a hierarquia reconhecendo o mérito das pessoas. Agrupava o time de acordo com as necessidades.”

            Por conta disso, ele diz, não fazia questão alguma de ser liderado pelos seus subordinados. “Nem sempre é você que precisa estar no comando, principalmente se seus liderados estão mais inteirados sobre determinado trabalho que você”, justifica.

            Qual é o problema que existe nisso? Para Chachamovbitz, nenhum, pois liderar é apenas uma função entre as várias que existem em um time. “O líder não pode dizer que é o mais importante do grupo, pois ele não sobreviveria sem as outras pessoas”.

            E ele vai mais além. “Quem enxergar essa realidade terá nas mãos uma equipe focada em resultados, com desejo de trabalhar. Nessas condições, uma empresa vai longe”, finaliza.

 

 

Fonte jornal do

 Administrador Profissional

Janeiro/2002, pag 6-7

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